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FACULDADE LATINO AMÉRICANA DE EDUCAÇÃO-FLATED
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR
NELCY FERNANDES SOARES
RELAÇÕES HUMANAS NA ESCOLA: Uma alternativa para odesenvolvimento no processo ensino-aprendizagem
Lago da Pedra 2013
NELCY FERNANDES SOARES
RELAÇÕES HUMANAS NA ESCOLA: Uma alternativa para odesenvolvimento no processo ensino-aprendizagem
Artigo científico apresentado àFaculdade Latino Americana deEducação – FLATED,como requisitoparcial para a obtenção de grau depós-graduação em Língua Portuguesacom Ênfase em Gramatica e Literatura.
Orientador(a): Profº Especialista:Hudson
1
RELAÇÕES HUMANAS NA ESCOLA: Uma alternativa para odesenvolvimento no processo ensino-aprendizagem
NELCY FERNANDES SOARES1
RESUMO: O homem começa a ser pessoa quando tem a capacidade de serelacionar com os outros, rompendo o mundo da identidade infantil em que semove nos primeiros anos de sua vida. Quando ele tem a capacidade de dar ereceber, em seu relacionamento com os pais, irmãos e outras pessoas, sóentão ele deixa o egocentrismo. Uma das necessidades psicossociais é a deque cada pessoa precisa de alguém para relacionar-se. Observando-se anecessidade de Relações Humanas na escola, busca-se neste artigo um estudomais aprofundado sobre as causas dos conflitos existentes no trabalhopedagógico que envolve professor, gestor, alunos e demais funcionários daescola. Portanto, sabendo-se da importância da afetividade na sala de aula,propõe-se mostrar meios que ajudem a manter o diálogo e o bomrelacionamento entre os segmentos existentes na escola.
Palavras-chaves: relação interpessoal; relações humanas; valores humanos;
educação, escola.
1 INTRODUÇÃO
No contexto da expansão social de um mundo globalizado
e tecnológico, o ser humano a cada dia se fecha e esquece os
valores que existem em cada um, por isso busca o fechamento
interior e dificulta a relação interpessoal. Sendo a família a
grande responsável pelo desenvolvimento afetivo de cada
indivíduo, espera-se que nela seja desenvolvido todo processo
de relacionamento humano. Hoje, no entanto, percebe-se que
este núcleo familiar encontra num sistema de modernização
desenfreada, não tendo mais tempo para a dedicação e educação
dos filhos. Por outro ângulo, se vê a sociedade, que também
2
segue um modelo egocêntrico, onde o lucro é mais valorizado do
que o ser humano.
Por ter a escola grande responsabilidade pelo futuro da
humanidade, propõe-se um estudo sobre o processo de inter-
relacionamento humano que nela existe, buscando assim
possíveis reflexões para que a educação seja feita de maneira
que conduza às pessoas ao exercício da ética e da cidadania.
________________________. Graduada em Ciência da Religião, pela Instituto de Teologia e FilosofiaBrasileiro(INTEFIB). Professora concursada no Ensino Fundamental pela redemunicipal em Lago da Pedra – MA.
O homem começa a ser pessoa quando tem a capacidade de
se relacionar com os outros, rompendo o mundo da identidade
infantil em que se move nos primeiros anos de sua vida. Quando
ele tem a capacidade de dar e receber, em seu relacionamento
com os pais, irmãos e outras pessoas, só então ele deixa o
egocentrismo e dar lugar ao alterocentrismo. Uma das
necessidades psicossociais, é a de que cada pessoa precisa de
alguém para relacionar-se.
Essa precisão que as pessoas têm uma da outra subtende
a contemplação no sentido de ninguém ser auto suficiente e
buscar a si mesmo, precisa partir para superação do isolamento
vivencial e existencial, pois todo ser humano vem de um grupo
com necessidades interpessoais específicas e identificadas.
Os membros de um grupo não consentem em integrar-se,senão a partir do momento em que certas necessidadesfundamentais são satisfeitas porque todo ser humano, quese reúne em um grupo qualquer as experimenta ainda queem grupos diversos. Por outro lado, essas necessidadessão interpessoais no sentido de que somente em grupo
3
podem ser satisfeitas adequadamente (FRITZEM, 2001, p.11).
Assim, pode-se afirmar que a educação não é somente
adquirir conhecimento, mas uma ação contínua. Uma ação pautada
nos sentimentos humanos, não na simples repetição de frases e
conceitos sobre valores, mas um cuidado na coerência entre a
prática docente e a teoria. Os valores humanos são essenciais
para a formação do educando, pois é por meio deles que se
formam cidadãos cientes de que o respeito mútuo e a
solidariedade são pilares de uma sociedade democrática.
Observando-se a necessidade de Relações Humanas na
escola, busca-se neste artigo um estudo mais aprofundado sobre
as causas dos conflitos existentes no trabalho pedagógico que
envolve professor, gestor, alunos e demais funcionários da
escola. Portanto, sabendo-se da importância da afetividade na
sala de aula, propõe-se mostrar meios que ajudem a manter o
diálogo e o bom relacionamento entre os segmentos existentes
na escola.
2 AS NECESSIDADES ESSENCIAIS NAS RELAÇÕES HUMANAS
Para se entender melhor o conceito de relações humanas
é necessário definir o termo Personalidade. Personalidade é o
conjunto total de características que torna o indivíduo único
e diferente dos outros. Revela-se através da conduta de uma
pessoa e das relações dos demais perante essa conduta. Os
fatores que determinam a personalidade são: herança biológica,
a influência do ambiente e a maturidade. A base para a
4
melhoria das relações interpessoais é a compreensão de que
cada pessoa tem uma personalidade própria, que precisa ser
respeitada e que cada um traz consigo necessidades sociais,
materiais e psicológicas, que precisam ser satisfeitas, e que
influenciam no comportamento. Assim pode-se conceituar
relações humanas como: uma disposição interior, uma aceitação
do outro que transparece no modo de falar, de olhar, na
postura e sobretudo na forma de agir adequadamente.
A linguagem é a arma mais poderosa que o homem possui.
É com a palavra que tem a capacidade da comunicação com o
outro. Uma palavra pode demonstrar, amor, carinho,
compreensão, pode ferir, convencer, estimular, entristecer,
instruir, educar, louvar, criticar ou aborrecer as pessoas a
quem foi dirigida, pois a linguagem é o instrumento essencial
das relações humanas.
Há também a necessidade de saber calar quando for
preciso. O silêncio é de grande utilidade para se viver em
grupo, calar necessita grande capacidade de controle de si
mesmo, capacidade de saber ouvir respeitando as ideias dos
outros.
Na linguagem humana muitas vezes são criadas barreiras
que impedem a comunicação de chegar de maneira clara ao
receptor, essas barreiras poderão impedir ou tornar menos
eficaz a realização da comunicação. E como se trata de um
processo, essas dificuldades podem estar em cada um dos
elementos da comunicação (emissor, receptor, conteúdo).
A comunicação sempre foi importante desde os primórdios
da humanidade, contribuindo para o seu desenvolvimento, o
5
exemplo do mercantilismo, industrialização e, sobretudo na era
atual do mundo globalizado. O avanço tecnológico das
telecomunicações tem permitido ao homem uma interação mais
rápida e frequente, para suas necessidades serem satisfeitas.
Do ponto de vista da Psicologia, a comunicação é uma
das necessidades emocionais mais essenciais ao ser humano,
pois não pode viver sozinho. Na Bíblia nós encontramos em
Genêsis, 2, 18, onde Deus diz: “não é bom que o homem esteja
só”. Isso nos mostra que desde o princípio da criação Deus nos
criou para vivermos em grupo. Os eremitas, embora se isolem
para viverem sozinhos, se comunicam com o transcendente. Os
astronautas, apesar de estarem a milhares de quilômetros da
Terra, mantém do espaço, ininterruptamente, sua comunicação
com a base.
Os sumérios criaram uma das primeiras formas de
escrita, que foi posteriormente adotada pelos demais povos
mesopotâmicos. Com uma espátula, desenhavam em placas de
argila pequenos sinais com o formato semelhante ao de um
objeto chamado cunha, por isso sua escrita ficou conhecida
como cuneiforme.
Os gregos mantinham amizade entre si através de gestos
simbólicos como, por exemplo: pegavam uma aliança, partiam ao
meio e cada um ficava com uma parte. Após longos anos, quando
voltassem a se encontrar, mostravam aquela parte da aliança,
para que ambos provassem a sua amizade e comunicação mesmo à
distância. Enfim, todo ser humano precisa s relacionar, se
expressar, e se deixar conhecer, como também conhecer os
outros.
6
Existe uma conexão estreita entre a comunicação e as
relações interpessoais. Pois elas são elementos-chaves em
nosso desenvolvimento pessoal, na percepção do que somos em
potência. Comunicar-se bem é tão necessário para o
desenvolvimento integral, quanto respirar ao ar puro, quanto o
alimento é para desenvolvimento físico.
Desse modo, percebe-se que a própria natureza humana
exige que os seres humanos se relacionem, pois a vida em
sociedade é condição necessária à sobrevivência humana. Desde
os princípios da criação, os homens têm vivido juntos,
formando grupos de diversas formas. Os contatos e os processos
sociais que aproximam ou afastam os indivíduos provocam o
surgimento de formas diversas de agrupamentos sociais, de
acordo com o estágio de integração social.
3 A IMPORTÂNCIA DOS GRUPOS SOCIAIS
Cada grupo social tem sua organização composta por seus
elementos e cada um desses elementos ocupam uma posição,
formando assim a estrutura social. Pode-se conceituar dizendo
que essa estrutura social é a totalidade dos status existentes
num determinado grupo social ou numa sociedade.
Cada participante de uma estrutura desempenha o papel
correspondente à posição social que ocupa. O conjunto das
ações realizadas por cada membro de um grupo compõe a
organização social. Esta por sua vez, corresponde ao
funcionamento do organismo social. A estrutura social se
refere a grupo de partes (reuniões de indivíduos, por
7
exemplo). Enquanto a organização social se refere às relações
que se estabelecem entre essas partes. Quanto mais complexa a
sociedade, maior e mais complexa sua estrutura e sua
organização social. Tanto a estrutura quanto a organização
social não permanecem iguais, elas podem passar por um
processo frequente de mudança social.
Sabe-se que as mudanças sociais são constantes, cada
organização tem um jeito próprio de viver e conviver de acordo
com o meio, raça, sexo, posição social, religião, cultura e
com o nível de escolaridade. Portanto, faz-se necessário citar
alguns grupos sociais que influenciam mais diretamente nas
relações interpessoais.
Observa-se uma infinidade de tipos que a cultura e os
novos padrões de relações humanas vão produzindo. Assim,
convém lembrar, que entre os grupos humanos a família tem um
papel primordial na educação e na cultura. Portanto, nesta era
de expansão social precisa-se enfatizar a importância da
comunicação para a criação, desenvolvimento e manutenção da
família, unidade básica de relações interpessoais. Sem
comunicação não há família, embora pais e filhos vivam sob o
mesmo teto, pois o mais importante nas relações familiares é o
“clima comunicativo”. É preciso criar um ambiente no lar que
favoreça e leve os membros da família a se comunicarem.
Consegue-se um clima aberto quando se vive o respeito ea acolhida que todo receptor deve dar ao que deseja secomunicar. Se em família todos estão dispostos, comoatitude básica, a respeitar e a acolher o que cadamembro deseja comunicar aos outros, sem dúvida estará secriando um clima aberto onde cada um se sinta livre paradizer coerentemente o que vive em seu interior, sabendoque não apenas será respeitado, mas escutado e aceito(MELENDO, 1998, p. 136).
8
Dentro da família também é muito importante a relação
fraterna. Esta relação se acentua muito mais quando os irmãos
já são adultos, mais capazes de estabelecer relações
interpessoais maduras. Entretanto, essa amizade deve ter sido
preparada através do esforço dos pais, fazendo com que os
irmão mantenham uma relação de afetividade dentro e fora do
ambiente familiar.
Outro grupo social relevante nas relações humanas é o
religioso. É notável que todas as sociedades conhecem alguma
forma de religião. Ela um fato social universal, sendo
encontrada em toda parte desde os tempos mais remotos. Pois
sempre foi uma necessidade do ser humano buscar algo superior
a ele.
Ao longo da História aparecem muitas formas de
manifestação religiosa. Das religiões que surgiram, algumas
desapareceram e outras existem até hoje. A crença em algum
tipo de divindade e o sentimento religioso são acontecimentos
generalizados em todas as sociedades.
Cada povo tem sua cultura própria, tem o culto ao
sobrenatural como motivo de estabilidade social e de
obediência às normas sociais. As religiões, as liturgias
variam, mas o aspecto religioso é bem evidente. O ser humano
procura algo que lhe transmita segurança e paz de espírito. A
religião desempenha um papel de formação social indispensável,
pois ela faz com que todos se unam comunidade espiritual,
chamada igreja.
Cabe ressaltar que a fundamentação bíblica da igreja
9
está alicerçada na vivência comunitária dos primeiros cristãos
“Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em
comum, na fração do pão e nas orações” (Atos; 2, 42). Dentro
do mundo globalizado, onde muitas vezes o ser humano está
sendo substituído pelas máquinas, surge um grande fechamento e
individualismo entre as pessoas.
Na sociedade contemporânea, onde a ciência tem um
destaque especial mostrando que os métodos científicos tem
mais eficácia, a educação deixa de ser refletida como valores
religiosos, modelo da sociedade feudal e passa a ser vista
pela ótica dos valores científicos.
É nesse contexto ideológico da nascente sociedade
industrial, nasce uma nova instituição responsável pela
educação: a escola. Uma das características dessa revolução
ideológica capitalista, foi transportar uma educação que
durante o feudalismo ocorria na família e na igreja para uma
instituição chamada escola. Ela nasce com normas específicas e
agentes próprios como: diretores, professores, alunos,
orientadores pedagógicos. A escola se propõe no objetivo de
preparar os indivíduos para viver em sociedade e também
desenvolver as aptidões de cada pessoa.
A escola é considerada uma reunião de indivíduos, num
processo de interação contínua. Ela é um grupo social, mas
pode também ser vista como uma instituição com um conjunto de
normas e regras padronizadas onde o principal objetivo é a
socialização do indivíduo e a transmissão dos aspectos
culturais.
Nos dias atuais se diz que grupo é o conjunto de duas
10
ou mais pessoas em situação de interação e agindo em função de
um objetivo comum. Os psicólogos sociais têm feito um estudo
sobre os grupos a partir do fim da década de 30, inspirados na
psicologia de Gestaltt, criaram um ramo novo, conhecido como
“dinâmica de grupo”, o qual analisa as inter-relações de seus
membros, as alterações que se processam em seu âmago, geradas
por forças internas e externas.
Os educadores descobriram que este assunto também era
muito importante para a Pedagogia e começaram a aplicar esta
dinâmica de grupo na escola, considerando também que as
pessoas que trabalham na escola formam um grupo.Na dinâmica do trabalho em grupo, o aluno fala, ouve oscompanheiros, analisa, sintetiza e expõe ideias eopiniões, questiona, argumenta, justifica, avalia.Portanto, o trabalho de grupo contribui para odesenvolvimento das estruturas mentais do indivíduo,mobilizando seus esquemas operatórios de pensamento.(HAIDT, 1999, p. 183).
A escola é uma instituição que serve para desenvolver o
ser humano como um todo e prepará-lo para uma vida que seja
ética e goze dos direitos e deveres de uma plena cidadania. A
grande transformação do mundo em que vivemos está nas mãos de
cada pessoa que educa. Os grandes problemas sociais como a
fome, o desemprego, a violência, o analfabetismo, os baixos
salários causam a cada dia, mais exclusão social. E diante
deste quadro a sociedade altera as relações interpessoais,
desconhecendo-se assim os valores humanos manifestados através
do amor, da humildade, da compreensão e da afeição na prática
docente.
11
4 VALORES HUMANOS NA ESCOLA
Acredita-se que não há educação sem valores humanos.
Desde 1980 está em evidência a Educação em Direitos Humanos
que se considera a educação em valores. Entre 1980 a 1990,
tiveram vários eventos, como debates, encontros, mesa-redonda,
apoiados pelo Instituto Interamericano de Direitos Humanos
(IIDH), na Costa rica, da Unesco, da Rede Latino-Americana de
Educação para a Paz e os Direitos Humanos do Conselho de
Educação de Adultos da América Latina (Ceaal). No mesmo
período, também, foi aprovado a nova Constituição Brasileira
em 1988 e promulgada o Estatuto da Criança e do Adolescente
(Lei 8.069, de 1990).
Existe uma associação entre Educação em valores Humanos
e a Educação em Direitos Humanos com a seguinte proposta:
A construção de uma cultura dos direitos humanos,
baseado no cotidiano do aluno;
A impregnação profunda das mentalidades;
A criação de novas práticas sociais que conduzam ademocracia efetiva, ou seja, a formação para acidadania e a democracia e, para essa transformação aeducação tem papel fundamental.
Assim, nota-se uma preocupação da educação com a
formação ética dos cidadãos, prova disto são os Parâmetros
Curriculares Nacionais (1997), que se apoiam na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de
1996). Atualmente vem se trabalhando a questão de valores
humanos na escola em vários países do mundo em parceria com a
12
Unicef e com a Unesco, com o Ministério da Educação, agências
internacionais e Organizações Não-governamentais (ONGs) da
sociedade civil, e o objetivo básico dessa iniciativa é
oferecer princípios orientadores e ferramentas para o
desenvolvimento da pessoa humana como um todo reconhecendo as
dimensões físicas, intelectual e espiritual de cada um.
Os valores humanos, quando trabalhados na escola, querna forma de temas transversais, quer de disciplina,podem desempenhar um papel relevante na formação deconsciência moral do aluno desde seus primeiros anos deescolaridade. A vivência desses valores propicia umamudança na percepção do seu cotidiano que leva àrevitalização de modos de conduta e ao crescimentoharmônico do indivíduo e, em, consequência da sociedadeem que ele está inserido (SABINI e OLIVEIRA e OLIVEIRA;2002, p. 55).
A escola como instituição formadora do comportamento
humano, que tem por finalidade educar o indivíduo para viver
em sociedade, não pode ficar fora da participação coletiva de
uma vez que a “educação nasce da sociedade e volta para servi-
la”. Diante do aspecto transformador, a escola não deve manter
um autoritarismo em suas relações pela ausência de
participação de membros da comunidade, na realização dos seus
projetos, visto que temos uma sociedade democrática. A escola
inspirada no espírito de cooperação, deve ter em vista um
trabalho coletivo, onde todos se envolvam no processo escolar,
guiados por uma vontade coletiva em direção a meta de alcançar
os objetivos educacionais da escola.
4.1 Relação professor x professor
As grandes empresas comerciais investem muito em cursos
13
de relações humanas para os seus funcionários. Até 50% dos
funcionários são renovados a cada ano e isto tem demonstrado
que a psicologia social funciona como uma grande ajuda nas
relações interpessoais dos membros trabalhadores que compõem a
empresa. É de fundamental importância o conhecimento da
personalidade de cada colega para o rendimento do trabalho
empresarial.
Em toda e qualquer repartição de trabalho é muito
importante o conhecimento do outro, porque na medida, que há o
ponto de conhecer a si mesmo e, também, conhecer o outro,
evidentemente há mais comunicação e mais possibilidade de
convivência humana. A integração é grande fator para o
equilíbrio da personalidade de cada individuo, as relações que
se estabelecem com as pessoas representa o meio principal para
situar-se diante do outro.
Sabendo-se que a escola representa uma instituição
social, é importante ressaltar que o professor faz parte do
seu corpo docente que representa a educação, como também um
mecanismo de trabalho humano dentro desta instituição.
Portanto, a sociabilidade faz parte da relação Professor x
Professor como uma forma de abertura da natureza humana para o
mundo exterior.
Essa sociabilidade é a necessidade de comunicação ativa
e passiva que se encontra o ser humano desde o nascimento.
Conforme o ambiente as diferenças podem ser grandes entre os
indivíduos. Às vezes a sociabilidade se manifesta também na
docilidade que se identifica na ordem da obediência
aproximando-se da submissão.
14
Como também é manifestada na sociabilidade dominadora,
próprios dos temperamentos de líderes que se sentem seguros
referentes a sua vontade e seus critérios, além de usar o seu
poder como forma de manipular, transgredir e dominar as
pessoas que se encontram sob sua liderança.
Diante de todas estas colocações do conhecimento de si
e do outro, é importante saber que o professor mais do que
qualquer outro profissional deve manter um bom relacionamento
com seu colega de trabalho, porque para ele ser bem sucedido
deve desenvolver uma personalidade saudável e melhores
relações interpessoais, tentando encaminhar-se para uma
educação afetiva.
Nesse sentido, chama-se a atenção de que o
desenvolvimento saudável da personalidade é de máxima
importância nos estudos pedagógicos. Nas últimas décadas têm
se voltado muito para uma orientação melhor da educação de
professores, tentando alcançar níveis de maior significado e
profundidade, na dinâmica interpessoal nos ambientes de
ensino. Pode-se dizer que o trabalho é uma extensão de nossa
necessidade de sermos geradores de capacidades, de algo que
prepare as próximas gerações, portanto dentro do ambiente
escolar a relação com nossos colegas ajuda esse processo de
gradatividade na compreensão e na ajuda mútua de cada um.
Ser professor hoje, exige um novo perfil, uma nova
postura, caracterizada com habilidade de trabalhar em equipes
e desafie a especialização, que limita, restringe, separa e
fragmenta, impedindo de ver o global e onde o essencial se
dilui, fechando-se em si mesmo e para os colegas de trabalho.
15
4.2 Relação Professor x aluno
A educação é um processo essencialmente social, porque
as relações entre quem ensina e quem aprende, repercutem
sempre na aprendizagem. É na convivência com os outros que o
ser humano é educado e se educa, e nessa troca de relações a
interação ajuda na construção do conhecimento e estimula a
afetividade manifestando formas diferentes de ver o mundo e
descobrir valores humanos.Os alunos sonham com outras relações: serem conhecidos ereconhecidos em sua individualidade, em sua vidapessoal; os alunos sonham com relações nas quais podemrevelar ao professor seus gostos, seus problemas e mesmoseus defeitos, desvendar sua personalidade e queprofessor se interessa por isso. (SABINI, e SNYDERS;2002. p. 56).
É importante que renasça a afetividade no coração de
quem educa, consciente que aqueles que hoje estão sob sua
responsabilidade serão os mesmos que estarão conduzindo nosso
país no futuro, nos diferentes setores: político, artes,
ciências, saúde ou tecnologia. É interessante lembrar que
existem duas dimensões neste processo ensino-aprendizagem.
De um lado está o professor com seu saber organizado,
seu conhecimento cientificamente estruturado, sua forma de se
expressar, na norma culta da língua, com os ideais e valores
formais, aceitos e proclamados pela sociedade e com sua
expectativa em relação ao desempenho do aluno.
Do outro lado está o aluno com seu saber não
16
sistematizado, seu conhecimento empírico, com o modo de falar
próprio de seu ambiente cultural, com os valores de seu grupo
e com nível de aspiração em relação à escola e à vida.
É necessário ressaltar que o lado emocional e humano do
aluno nem sempre é considerado pelos educadores, pois os
mesmos, na maioria das vezes, estão preocupados apenas com os
conteúdos de suas disciplinas, que tratam os alunos como
máquinas, esquecendo-se que estão em contato direto com um ser
especial que precisa de atenção, de carinho.
Os professores são observados desde o primeiro momento
que entram na sala de aula. Tudo neles é minuciosamente
observado e estudado muito mais do que os conteúdos que
passam: a voz, movimento das mãos, a direção do olhar. Os
alunos percebem o sentimento que cada professor tem por eles.
O aluno como pessoa não é preocupação para muitos
professores, pois para alguns o conteúdo é mais importante,
assim como a distribuição de tarefas e realizações de
avaliações, ignorando o fato de que os alunos são pessoas com
características e problemas individuais. A compreensão do
aluno exige esforço e quanto mais o professor for
compreensivo, mais será procurado.
A escola proporciona à criança possibilidade de
estabelecer relações diversificadas, de conviver num ambiente
menos estruturado e estável do que a família, pois ela
proporciona a participação da convivência em grupos, cuja
integração inclui seguir regras, assumir tarefas e reconhecer
suas capacidades e respeito por si e pelos outros. Portanto, o
professor deve conhecer seus alunos, não somente no aspecto
17
cognitivo, mas, sobretudo no emocional.
Nossa relação com os alunos não se limita ao quecostumamos associar à expressão “relações humanas”,abrange todas as dimensões do processo ensino-aprendizagem que se desenvolve na sala de aula, ondeinfluímos sobre os alunos e os alunos influem sobre nós.(MORALES, 1998, p. 158).
Observando todos esses aspectos da relação Professor x
Aluno, nota-se que esta relação deixa de ser vertical e de
imposição para ser a construção de um conhecimento coletivo
participativo, onde fique claro os papéis desempenhados pelos
participantes deste processo.
4.3 Relação Gestor x Professor e demais membros da escola
Para se chegar em gestão, é necessário primeiro olhar o
processo de evolução da administração. As sociedades humanas
primitivas, extinguiram certas formas de administração em face
da necessidade de resolver-se problemas de interesse comum. A
partir da família, da tribo, da igreja, do exercício ou Estado
e acompanhando o desenvolvimento da complexibilidade da
sociedade humana através dos tempos foram surgindo propostas
de administração.
A administração é uma atividade específica do ser
humano, pois somente ele é capaz de estabelecer objetivos
livremente e utilizar-se dos recursos de modo racional, este
modelo de administração chega também na escola. Nos povos
primitivos a educação tinha o objetivo de ajustar a criança no
meio, pela aquisição de experiência de gerações passadas,
18
realizadas por imitação. A educação oriental tinha por
objetivo o domínio da linguagem e da Literatura já nas
escolas.
A educação grega visou primeiramente ao desenvolvimento
individual, característica que é o marco inicial da educação
liberal. A educação em Roma fundamenta-se nos conceitos de
direitos e deveres e no primitivo desenvolveu-se no lar. A
educação da Idade Média tinha caráter cristão, em oposição ao
conceito liberal e individualista dos gregos e ao conceito de
educação prática e social dos romanos.
Com o passar do tempo e a chegada do neoliberalismo as
empresas investem na mão-de-obra realizada em equipe. O melhor
funcionário não é aquele que faz tudo sozinho, e sim aquele
que tem maior liderança e é capaz de se relacionar mais com
seus companheiros de trabalho. O inter-relacionamento humano é
uma prioridade nas grandes indústrias, pois quanto melhor o
relacionamento, maior a produção.
A Literatura nos afirma que é a capacidade de construir
relações com as pessoas que nos cercam, que nos tornam
líderes. E essa capacidade é indispensável na missão de um
gestor. Pois, quanto mais ele se relaciona com os professores,
os alunos e demais membros da escola mais é desenvolvida sua
função pedagógica.
É necessário que Gestor da escola crie condições quefavoreçam o exercício efetivo da participaçãoabrangente, desde o desenvolvimento de um clima amistosoe propício à prática de relações humanas cordiais esolidárias no interior da escola, até a luta pelosdireitos humanos de toda ordem no nível da sociedadeglobal (PARO, 2001, p. 166).
19
Precisa-se visualizar os processos educacionais dentro
de uma nova ótica de pensamento contemporâneo que focaliza a
educação com um processo de inclusão, pois os educadores têm
em suas mãos o principal recurso de um país “o capital
humano”. Um capital que bem acessado no potencial de suas
aptidões é renovável, inovador, capaz de aprender, capaz de
ensinar e capaz de produzir novos paradigmas de relações
humanas.
Assim, é importante ressaltar que a função do gestor é
fundamental para o desenvolvimento da educação no processo
escolar. Quando ele mantém relações interpessoais com os
demais segmentos da escola, há na verdade mais condições para
desempenhar um trabalho coletivo.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não se pode falar em processo ensino-aprendizagem se
não há um relacionamento interpessoal nos vários segmentos da
escola, porque os valores humanos são necessários para que
haja uma interação social. A escola é uma extensão da família,
como também da sociedade, portanto é necessário trabalhar a
afetividade dentro e fora da sala de aula.
Nota-se também que na prática as relações humanas ainda
são desconhecidas para alguns gestores que muitas vezes se
sentem donos do corpo docente e discente da escola, negando
por sua vez, a liberdade que cada pessoa tem de se expressar
ou escolher suas ideias dizendo o que pensam e o que gostam de
fazer. Existem gestores que sentem medo de perder o poder, ao
20
invés de exercitarem sua liderança através do relacionamento
interpessoal com os demais membros da escola.
Infelizmente, ainda não se pode contar com uma fórmula
precisa que auxilia todas as escolas (e pais) e de contar com
os diferentes contextos, para colocar prática o que é descrito
pelas tipologias (em suas diversas maneiras de envolvimento de
pais). No entanto, é fato que a escola não pode excluir os
pais do processo escolar e nem dividir as responsabilidades de
pais e de profissionais da educação.
Para que a escola possa ajudar essas crianças é
necessário que haja a participação da família nesse processo,
de maneira que eles possam estar mudando de atitudes frente a
essas crianças, de modo que esteja dando carinho, atenção,
respeito, bons exemplos atitudinais, limites comportamentais,
entre outros fatores determinantes para o bom desenvolvimento
psíquico, social e educacional da prole.
De modo que a família deve desempenhar adequadamente o
seu papel de maneira homogênea, para que assim possa estar
contribuindo para o sucesso de seus descendentes, enquanto
cidadãos de bem, isto é, com ajuda da escola, pois a mesma
interage junto a família.
É necessário para isso que cada indivíduo saiba como
proceder dentro da sua função que lhe é cabível, de forma que
não confunda ou transfira a sua função para outros. Pois o
papel da instituição escolar é acatar e transformar pessoas em
cidadãos educados, na qual vivencie de maneira harmoniosa em
sua realidade, com a família e com as outras, diante do qual o
papel da família é educar e preparar seus descendentes para o
21
trabalho, observando sempre o papel do professor no qual
ensina e instrua toda a sua clientela, preparando para a vida
e para o mundo, de modo que os mesmos irão agir conscientes de
suas atitudes.
A família que participa ativamente no processo de
ensino-aprendizagem dos filhos, estará contribuindo de maneira
eficaz na vida dos mesmos, pois ela servirá de estímulo para
os filhos frequente ou continuarem frequentando a escola,
junto a isso terem um bom rendimento escolar, a presença
constante da família dentro do processo educacional dos filhos
é peça-chave para o desenvolvimento dos mesmos.
Os valores humanos quando trabalhados no espaço
escolar, quer na forma de temas transversais, quer de
disciplinas, podem desempenhar um papel relevante na formação
da consciência moral do aluno desde seus primeiros anos de
escolaridade. A vivência desses valores propicia uma mudança
na percepção do seu cotidiano que leva à revitalização de
modos de conduta e ao crescimento harmônico do individuo e em
consequência, da sociedade em que ele se encontra inserido.
HUMAN RELATIONS IN SCHOOL: An alternative for development in
the teaching-learning process
ABSTRACT
The man begins to be a person when he has the ability to relate withothers, breaking the world of child identity as it moves in the early yearsof his life. When he has the ability to give and receive, in theirrelationship with parents, siblings and other people, then he leaves theself-centeredness. One of the psychosocial needs, is that every personneeds someone to relate to. Observing the need for human relations inschool, this article seeks to further study on the causes of conflicts in
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the pedagogical work that involves teachers, managers, students and otherschool staff. Therefore, knowing the importance of affectivity in theclassroom, it is proposed to show ways to help keep the dialogue and goodrelations between the segments in the existing school.
Keywords: interpersonal relations, human relations, human values,education, education.
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